Why English is simpler than Portuguese: Masculine and Feminine (por Michael Jacobs)
A postagem de hoje não é um texto meu. Isso, porque vou reproduzir aqui um texto de Michael Jacobs, engenheiro, professor de inglês e escritor, que vive no Brasil há quase 50 anos. Jacobs foi pioneiro em utilizar o próprio Português para ajudar os alunos a aprenderem Inglês.
Este texto em particular, é um relato bem humorado acerca de sua dificuldade em compreender as questões de gênero da Língua Portuguesa.
Li-o há mais de dez anos e, ainda hoje, costumo citá-lo todas as vezes em que discuto esse ponto com os meus alunos.
Uma leitura rápida, divertida e que vale muito a pena. ENJOY!
"Vamos falar de pessoas, no masculino e
na feminina… (Sei, sei! Não é feminina, é feminino, adjetivo masculino
para “mulheres”. Muito bom, hein!) Pois bem, imagine a seguinte
situação: Eu e um colega acabamos de ver dois homens conversarem
animadamente e vamos comentar esse fato “extraordinário” com outra
pessoa. O meu amigo relata: “Michael e eu vimos duas pessoas
conversarem. Elas estavam conversando animadas”. Mas eu sei que eram
(foram?) dois homens; portanto, a minha tendência será dizer: “Vi duas
pessoas conversarem. Eles estavam conversando animadamente”. Errado,
Michael! Eram pessoas, duas pessoas. Assim, o correto é (a minha
verificação ortográfica está querendo que eu escreva “são elas”, mas não
é isso que quero dizer – você me entende?) elas. Não obstante o que
você queira, as regras do português não vão se curvar às suas vontades.
Outro dia, quase escrevi “uma mapa”. A tentação foi (ou era?) grande, mas me contive a tempo. (Ou é “em tempo”? Em inglês, é in time.)
Uma
das primeiras regras que aprendemos a respeito do português é que os
substantivos são masculinos ou femininos. Depois de passada a surpresa
ou choque inicial, nós nos conformamos (“conformamos-nos?”) com essa
realidade cruel. Em português, há sexo em todas as coisas. (Quisera eu
ter tanto!) “Mesa” é mulher! “Piso” é homem! E ai de nós, curiosos e
curiosas, se perguntamos por que é assim. Para nós, simples falantes de
inglês, questões de sexo são reservadas às coisas obviamente masculinas
(eu, por exemplo) e femininas (Julia Roberts e Cameron Diaz). Os
pronomes she e he, os possessivos hers e his, os objetos her e him
e… acabou-se. Em inglês, nós nos referimos ao sexo dos homens, das
mulheres, dos gatos, cachorros e outros bichos do reino animal e pronto:
esgotaram-se aí as questões masculinas e femininas. Mas, com o
português, não: a questão está (estar?) apenas começando.
Bom, a duras penas, mas com muita
(muito?) boa vontade, aprendemos e aceitamos que as coisas têm gênero.
Uma das primeiras coisas que aprendemos é que as palavras que terminam
com “o” são masculinas e que as que terminam com “a” são femininas. Mas
aí vem alguém e diz: “Bom dia”. Como assim? Não deveria ser “Boa dia” ou
“Bom dio”? Mas, como ia dizendo, aprendemos que os adjetivos em
português vêm após o substantivo (mas, é claro, nem sempre), ao passo
que em inglês vêm antes. Sim, posso arriscar: sempre. Em português, além
de engolir esse fato, precisamos aprender a lidar com as exceções. É
“bom dia” mesmo (mas tivemos um dia bom no trabalho hoje), e não é
“minha guarda-roupa”, mas “meu guarda-roupa”. Porque “guarda-roupa” é
substantivo masculino. E “dia”, quem diria, também.
Eu me lembrei de um diálogo engraçado que, volta e meia, tenho com os meus filhos, em casa.
Filho(a): “Pai, cadê a minha camiseta?”
Eu: “Estar na minha guarda-roupa”.
Correção do filho(a): “Na minha não, no meu”.
Eu: “Na seu não, na minha”.
Juro que esse tipo de diálogo é comum.
Posso perguntar, ou pelo menos perguntava quando tinha mais cabelo (por
que não cabelos, se em inglês hairs significa “fios” de
cabelo?): “Alguém viu minha pente?” Posso dizer “Recebi uma telefonema
de fulano”? Não só posso, como de fato faço (faço-o?; o faço?; faço o?)
com freqüência, e não me sinto constrangido em (ou ao?) admitir isso.
Desculpe-me, mas, apesar de tanto tempo aqui, ainda sou bem capaz de
errar o sexo dos artigos e dos substantivos. Para mim, não há lógica
atrás da escolha. Afinal, não aprendi naturalmente quando era criança;
não foi algo que aprendi no colo da minha mãe. (Mas nem tudo está
perdido: ela me ajudou bastante com o inglês.)
Há várias maneiras de aprender e decorar
as coisas. Tive dificuldade de lembrar a diferença entre um lenço e um
lençol, por exemplo, até que um colega de trabalho me fez perceber que
eu não dormia num lenço, nem usava lençol para secar as mãos, e aí ele
me disse: “Michael, é fácil. É só lembrar que um lenço tem cinco letras e
um lençol – que é maior – tem seis”. Nunca mais esqueci."
Devo dizer que também. Nunca mais esqueci. :)
Devo dizer que também. Nunca mais esqueci. :)



Nice and funny :) thanks for sharing
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