O PRIMEIRO PASSO PARA CORRIGIR SEUS (MEUS!) ERROS, É ADMITI-LOS
A postagem de hoje não se trata
de erros comuns cometidos pelos meus alunos durante o aprendizado da língua
inglesa. Não. Trata-se dos erros cometidos por mim, enquanto professora.
Comecei a dar aulas bem cedo, aos 16 anos, com o incentivo e o suporte de uma professora incrível, a Claudia.
Assim, são praticamente 14 anos ensinando inglês. Quatorze anos cheios de aprendizado, descobertas, acertos e erros. Muitos erros. Alguns, eu cometo ainda hoje, admito. De outros, a maioria, posso dizer, ‘grazadeus’, livrei-me.
O primeiro deles que, com muito custo abandonei, foi o de interromper o aluno em meio à fala dele, a fim de corrigi-lo. Ah, Deus sabe o quanto foi difícil fazê-lo! Outros professores também o sabem e não me deixariam mentir.
A garganta chegava a coçar a cada estrutura mal construída, a cada “ea” or “ee” pronunciado como “i”. Hoje não. Consigo, sem dificuldade alguma, esperar que o aluno conclua a frase e me dê uma brecha para corrigi-lo. Antes, eu acabava enfiando os pés pelas mãos, interrompia o aluno no meio do raciocínio e, invariavelmente, o pobrezinho acabava perdendo o fio da meada e calava-se, constrangido, inseguro e até descrente da sua capacidade.
Embora deste erro em particular, eu já tenha me livrado, há outros que ainda estão em fase de "desconstrução", eu diria.
O mais recorrente deles é o que chamamos de TTT (Teacher Talking Time), que acontece quando a gente, professor, acaba se empolgando e falando mais (às vezes, muuuuito mais!) que o aluno e, daí, a coisa meio que perde o sentido e a eficácia, já que acabamos não oferecendo ao aluno o tempo de que ele precisa para praticar o speaking de fato! Acontece que, por vezes, ocupamos todos os espaços vazios com conversa, para evitar aquele desconforto comumente criado pelo silêncio ou longas pausas.
Sobre isso, a pergunta essencial: "Como encontrar o equilíbrio entre o “tempo de fala” do aluno e o “tempo de fala” do professor?". Obviamente, não há uma regra para isso, mas, certa vez, li algo sobre, em geral e idealmente, dividir o tempo total de aula entre algo como 30% para o professor e 70% para o aluno; podendo esse tempo variar (50%-50% no caso de uma turma iniciante, e 10%-90% numa turma avançada). Juro que tenho tentado (imagino que com sucesso) corrigir as minhas falhas neste quesito.
E tanto quanto o faço num segundo mau hábito: o de “ecoar” as frases dos alunos mesmo quando elas estão corretas. “I like popcorn”. “Oh, you like popcorn!”. Pois é. Acredito que tudo bem fazê-lo quando a construção da frase está errada, como em “I like of popcorn”. “Oh, you LIKE popcorn” (assim, enfatizando a forma correta para que ele se dê conta do erro). Repetir os alunos tem valor nulo de aprendizado, além de, como no caso da interrupção durante a fala, acaba, muitas vezes, por cortar ou, no mínimo. "embramar" a linha de raciocínio do aluno... ele poderia, por exemplo, depois de afirmar que gosta de pipoca, complementar, dizendo que gosta de comê-la especialmente quando vai ao cinema... mas, como saberemos, se acabamos “papagaiando” o aluno?
Além destes, um terceiro erro que eu ainda costumo cometer – com mais frequência do que eu gostaria, confesso – é o de terminar as frases dos alunos. Yeah. Guilty as charged!
Mas a verdade é que não importa quanto tempo um profissional atue em sua área, ele sempre estará suscetível a erros. O que não cabe é não admiti-los e ignorá-los de uma maneira que coloque em risco a eficácia do seu trabalho e, no caso do professor, a evolução do seu aluno. Não é justo com nenhum dos dois. Assim, que sejamos capazes de, primeiro, admitir nossos erros, para que nos tornemos professores mais críticos e conscientes da nossa prática, adquirindo assim, também a capacidade de analisá-la de maneira eficiente a fim de encontrarmos uma pratica de ensino, se não perfeita, que se assemelhe bastante a ideia de perfeição!



Perfeito, gostaria eu que todas as pessoas em suas diversas profissões tivessem essa inteligência e humildade, as vezes eu até pensava que esse modo de ser e agir não fosse o ideal, mas vendo, lendo e sentindo que existem mais pessoas que se comportam assim, ou pelo menos se esforçam nesse caminho me insentiva em continuar!!! Mesmo sabendo que em algumas ocasiões possa ter um preço alto a pagar...
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