INTERCÂMBIO DE POUCAS SEMANAS: O QUANTO VALE A PENA?
Não raro, sou questionada pelos meus alunos sobre
intercâmbio. As dúvidas são muitas. Das mais diversas, desde dicas de escolas, lugares, acomodação até quanto dinheiro levar...
Ainda, compartilham comigo suas incertezas e inseguranças a respeito.
Ainda, compartilham comigo suas incertezas e inseguranças a respeito.
“Teacher, mas eu sei muito pouco de inglês. Será que
vou conseguir me virar?”
Ou então: “Ah, mas será que só algumas semanas vale a pena?
Não tem que ser pelo menos um ano?”
Sim. Sim. E Não. Respectivamente.
Primeiro, deixa eu falar sobre outra coisa que, de certa
forma, tem a ver com essa questão.
Eu vejo muita gente que desanima de aprender inglês e acaba
desistindo de fazê-lo, com a desculpa de que acha ser impossível aprender o
idioma, sem passar um tempo vivendo num país que a tenha como língua oficial.
Comecei a aprender inglês aos seis anos, em uma escola de
idiomas. Fiquei lá por cerca de dez meses, e então fui ter aulas com uma
professora particular M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A a quem eu admiro muito e digo, com
o coração cheio de amor e gratidão, que foi quem me inspirou e me fez querer
seguir a profissão. Fiz aulas com ela até os 18 anos, que foi quando entrei na
faculdade e, sem dispor do tempo de antes, infelizmente, não consegui aliar o trabalho (nessa época
eu já dava aulas) e os estudos na faculdade às minhas próprias
aulas de inglês.
Todo o meu estudo da língua se deu aqui, no Brasil. Minha
primeira experiência fora do país foi há apenas seis anos, em Londres.
Nessa época, eu já havia concluído a faculdade e trabalhava
numa escola de idiomas. Meus estudos de inglês somavam 18 anos. Mas, sim. Eu
confesso. Fiquei bastante insegura.
Embora desse aula desde 2002, fosse formada na área, tivesse
conversado ao telefone, via internet e pessoalmente com inúmeros nativos de
inglês, e estrangeiros que a tinham como segunda língua, aquela seria a
primeira vez que eu experimentaria fazê-lo num país nativo. Vi como a minha
prova de fogo. Prova pela qual eu, felizmente, passei com louvor, sem falsa modéstia.
"Ah, teacher, mas você já tinha fluência na língua, já sabia se virar bem..."
De fato. Mas isso não significa que alunos iniciantes não devam se aventurar também.
Sempre que os alunos me fazem questionamentos e colocações como as de cima, eu peço a
eles que façam uma continha bem simples (visto que matemática, pra mim, só
assim mesmo: coisa bem simples) a qual um dia me propuseram também.
Vamos “chutar baixo”: Imaginemos que você vá para o Canadá
fazer um curso de inglês de duas semanas. Que este curso seja apenas de meio período,
ou seja, de quatro horas, de segunda a sexta-feira... afinal, o seu tempo lá
será curto e você quer ter a chance também de, além de estudar inglês, “turistar”.
Assim, temos:
4 h/dia X 5 d/sem = 20 horas
20h/sem X 2 semanas = 40 horas
40 horas! Considerando-se que aqui, você estude o tempo ‘padrão’
de 2 horas por semana, ou 8 horas por mês, significa que, no Canadá você terá,
em 2 semanas, o número de horas de aula que você levaria CINCO MESES para ter
aqui!!! São CINCO MESES em 2 SEMANAS!
Quer mais? Muito bem. Nesse cálculo foi considerado apenas o
tempo formal de estudo, o tempo que você passaria em sala de aula. Agora, se
considerarmos o tempo total de EXPOSIÇÃO à língua, esse número sobe muito.
Mesmo!
Levando em conta que o dia tem 24 horas e descontando-se as
8 horas comuns de sono (mas, na verdade, a gente sabe que muito provavelmente serão
menos...turista não dorme tudo isso, não! Há muito que se ver e fazer. Então a gente
dorme pouco, mas no dia seguinte tá lá, em pé, e feliz da vida!), são 16 horas
que você tem, diariamente, para aprender a língua.
Destas 16, quatro são em aula, aprendendo o idioma, enquanto as
outras doze, são por aí, “vivendo-o”. Exatamente. Quando em um país de língua
estrangeira, a gente vive a língua falada por lá. Prova disso?
Você acorda, cumprimenta a sua host family, ou a galera do
albergue. Em inglês. Se tem a chance, liga a televisão e ouve as primeiras
notícias do dia. Em inglês (nada de Globo Internacional, pelo amor de Deus,
hein?! Rs). Sai de casa. Para no café mais próximo. Pede uma cup of coffee e um brownie. Em inglês. Vai
comprar os tickets para as atrações turísticas. Em inglês. Pede information. Em
inglês. Lê o cardápio do almoço. Que está em inglês. Faz o seu pedida. Em inglês. Enfim! Tudo, absolutamente tudo que você
faz, acontece em inglês (desde que você, é claro, siga a regrinha de ouro do
intercambista: fugir de brasileiros!) mesmo que com dificuldades, ou com uma pronúncia e vocabulário não tão bons.
Assim, se isso não é “viver” a língua a qual você se propôs
estudar, não sei o que é então.
E, é claro, enquanto você vive o inglês, o número de horas
que você o está, consequentemente, estudando, aumenta. Então, vamos fazer um
novo cálculo:
16 horas por dia X 14 dias = 224 horas.
DUZENTAS E VINTE E QUATRO HORAS em duas semanas no Canadá. O
que seria o equivalente a VINTE E OITO, aqui. Vinte e oito semanas? Não! VINTE
E OITO MESES! Ou seja, 2 anos e quatro meses...
Óquei. Falando assim, eu estou dando um tiro no meu próprio foot,
afinal, diante desses números tão diferentes, espera-se que meus alunos
desistam todos da aula comigo, guardem uma grana, esperem suas férias e vão pro
Canadá (ou aonde quer que prefiram) experimentar um curso intensivo de mais de
200 horas de inglês, em poucos dias.
Não. Não é bem assim. Para a minha sorte, aprender uma
língua é algo que exige, entre outras tantas coisas, paciência e tempo. É
evidente que o intercâmbio vai ajudar, e muito, no desenvolvimento do seu
inglês. Principalmente no quesito da conversação.
Mas eu tenho inúmeros alunos,
por exemplo, que passaram meses, até anos, morando lá fora, mas que, ao
retornarem para cá, buscam as minhas aulas.
Seja porque querem, ou porque precisam
delas. Vários deles, uma vez de volta, reclamam não ter com quem praticá-lo e
percebem que estão enferrujando. Outros, embora tenham experimentado a vivência
da língua, não absorveram tão bem outras questões mais formais, que as aulas
lhes possibilitariam com mais clareza.
Ainda, a gente bem sabe que, especialmente agora, um
intercâmbio é algo bastante caro, infelizmente além das possibilidades de muita
gente. Além de tantos outros fatores como trabalho, família, negócios aqui...
Enquanto a oportunidade de um intercâmbio não surge,
dedique-se às aulas aqui mesmo. Comigo. Com o colega que for. Online. Por conta própria. Da maneira que puder ou preferir.
Mas lembre-se que, como eu já disse ‘lá em cima’, a
impossibilidade de passar uma temporada em outro país para estudar a língua,
não é uma boa desculpa para que você não o faça. Ou pelo menos tente.
Eu não posso ter certeza quanto aos outros idiomas, mas
quanto ao inglês, eu posso, sim, afirmar que é perfeitamente possível
aprendê-lo (e bem) no Brasil. Digo com conhecimento de causa. Colocando-me como
prova viva (e linda! rs) disso.
Agora, se você dispõe de tempo, vontade e todas as demais condições
necessárias a um intercâmbio, vá em frente!
Pouco importa se serão apenas os vinte ou trinta dias das
férias do trabalho, da escola ou da faculdade... qualquer período é válido!
Muitíssimo válido!
E você, meu aluno, conte com todo meu apoio e incentivo.
Saiba que um pedacinho de mim estará lá também, torcendo para que seja um
sucesso.
E, claro. para que você volte cheio de fotos e novidades incríveis sobre tamanha
experiência... eu vou adorar vê-las e ouví-las todas. Principalmente, porque eu
sei que vai voltar cheio de disposição para continuar estudando, e com aquela
encomenda básica de um batom ou qualquer miudeza do Free Shop, que eu vou fazer.
[imagem: Google. Site: www.jogandoascegas.com.br]



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