Como PENSAR em Inglês? (tirando proveito do seu Estilo de Aprendizagem)
É muito
comum que o processo de aprendizado de uma língua estrangeira ocorra da
seguinte maneira:
1º O cérebro do
aluno recebe a informação X na língua alvo (aqui, especificamente, o inglês);
2º Ocorre
a tradução mental de tal informação para a língua materna (português);
3º O
aluno pensa numa resposta ou comentário sobre ela, também na língua materna;
4º Por
fim, ele faz a tradução para o inglês.
Essa sequência é bastante natural, haja vista o fato
de, normalmente, começar-se o aprendizado de uma língua, pela sua gramática e
não pela vivência.
Desta maneira, não somos capazes de pensar em
inglês, mas, primeiro, de traduzir de e para ele.
Como então fazê-lo? Como uma criança que está
aprendendo a falar sua própria língua. Observe-a. Pense. Como ela o faz?
Observando e ouvindo os adultos. Fazendo
associações, experimentando. Não são lhe dadas gramáticas e livros didáticos
sobre a língua. Ao menos não até chegar à idade escolar.
Pensemos nas associações. Elas devem acontecer de
maneira direta. O que, em termos práticos, significa associar uma nova palavra
em inglês a algo palpável, real, ou mesmo abstrato – como uma ação – mas que
faça sentido, que tenha relevância prática.
Via de regra, o que acontece mais comumente entre
os aprendizes é tradução da palavra e, só então, a associação dele a sua
imagem, ou ideia.
O processo de aprendizagem da fala para nós,
enquanto crianças, dá-se de maneira natural porque vivenciamos o idioma. Temos
contato direto e frequente com ele. Ainda, mesmo que instintivamente, acabamos
por fazer usos dos nossos sentidos para facilitar essa empreitada.
Imaginemos que a palavra “skirt” seja uma novidade
para você. Tem à disposição um celular (ou computador) com acesso à internet.
GOOGLE IT. Mas que tal se, em vez de simplesmente buscar a tradução para essa
palavra, você buscar uma imagem dela? Assim, você fará uma associação com a
representação gráfica da palavra, ou mesmo com a ideia dela, no caso de um
verbo, por exemplo, sem precisar traduzi-la.
O próximo passo é associá-la, de fato, ao objeto
real. Pode-se, ainda, associá-la a palavras com som e/ou grafia semelhantes;
com outras peças do vestuário... ou quaisquer outros objetos e ideias que
auxiliem no processo de internalização. A bem da verdade, as associações são algo
bem particular, que cada um fará da maneira que achar melhor. E isso será
sabido através da experimentação. Da tentativa e erro – tentativa e acerto.
Sobre o “processo de internalização que citei ali
em cima, uma das maneiras mais eficazes de realizá-lo, é através da repetição.
Lembro-me de ter lido (ou talvez ouvido) certa vez que um novo vocábulo, seja
da língua estrangeira que for, precisa ser repetido pelo menos 8 (oito) vezes
para que seja, finalmente, internalizado. (ressaltando que internalizar nada
tem a ver com decorar!)
Ainda assim, é evidente que não basta dizer uma palavra seguida
e repetidamente por 8 vezes, para que isso aconteça. Deve-se usá-la pelo menos
esse tanto de vezes, em situações diversas e reais de uso, seja através da
escrita, seja através da fala.
Há infinidades de maneiras (muitas, inclusive
divertidas) de praticar de modo a tornar novos vocábulos e informações, velhos
conhecidos.
Cada um de nós, enquanto alunos, temos o seu
próprio “Estilo de Aprendizagem”, ou, em inglês, “Learning Style”. Trata-se de
um conjunto de fatores cognitivos, afetivos e fisiológicos que indicam a
maneira como um aprendente percebe, interage e reage ao ambiente de
aprendizagem. Eles são três: auditivos, visuais e cinestésicos.
Embora os próprios termos sejam autoexplicativos,
grosso modo, é o seguinte:
Aprendentes visuais: são aqueles que aprendem
melhor ao ver. Vídeos, desenhos e flashcards e dicionários ilustrados são
ferramentas bastante efetivas. (A dica sobre o “skirt” funciona,
particularmente bem, para esse tipo de aluno). Crianças costumam ser bastante
visuais.
Aprendentes auditivos: aprendem melhor ouvindo.
Músicas e aulas teóricas de um professor em sala de aula, podcasts etc, são
ótimas alternativas.
Aprendentes cinestésicos: são aqueles que aprendem
melhor quando há “movimento”. Assistem a uma palestra teórica para eles,
diferentemente dos alunos auditivos, pode ser torturante, a menos que estejam,
por exemplo, manipulando um lápis, tomando notas daquilo que escutam,
executando algo prático. Atividades que envolvam movimento, como mímicas e
jogos diversos que exijam que eles saiam de seus lugares, costumam funcionar
bem. Normalmente, têm mais facilidade em prestar atenção à aula de um professor
que se movimenta em sala, ao invés de permanecer sentado.
Evidentemente, é de extrema importância que o
professor seja capaz identificar o tipo de abordagem que atenda às necessidades
de alunos com diferentes estilos de aprendizagem (em especial das crianças, que
ainda não são capazes de identificá-los por si sós) a fim de simplificar as
experiências educacionais e garantir que o aproveitamento cognitivo se dê de maneira
maximizada.
Contudo, é interessante que o aluno, enquanto maior
beneficiário do aprendizado, procure, ele também, descobrir seu estilo de
aprendizagem.
Afinal, embora o processo de aquisição de uma
língua estrangeira, siga um certo padrão do ponto de vista neurológico, são
inúmeros os fatores afetivos que moldam e transformam esse processo em algo
bastante pessoal, particular. E, a partir do momento em que o aluno sabe de que
melhor maneira o seu aprendizado acontece, tem mais consciência de suas
próprias deficiências e mais claros os caminhos para saná-las, tornando o pensar na língua alvo, um objetivo mais fácil de ser atingido.



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