O PROFESSOR ENQUANTO INCENTIVADOR DO ALUNO AUTÔNOMO
É bastante natural, especialmente no início do processo de ensino/aprendizagem, que nós, professores, meio que nos comportemos como 'pais' de nossos alunos (tão natural quanto o aluno desejar/esperar que assim o façamos).
Eu mesma, sinto-me 'mãe' dos meus alunos com enorme frequência. Na verdade, todas as vezes nas quais me preocupo ao diagnosticar que seu desenvolvimento não vem acontecendo como poderia e/ou eu gostaria... assim me sinto também quanto ao orgulho que tenho quando tal desenvolvimento se mostra cada vez mais evidente e significativo.
Certa tranquilidade por receber feedback de um trabalho bem feito, sim, mas ao mesmo tempo, orgulho mesmo, não do meu trabalho apenas, mas da flagrante evolução de cada um.
Certa tranquilidade por receber feedback de um trabalho bem feito, sim, mas ao mesmo tempo, orgulho mesmo, não do meu trabalho apenas, mas da flagrante evolução de cada um.
Mas aqui especificamente, refiro-me a uma relação paternal, no sentido de, comumente, no início de tal processo, o aluno mostrar-se, por vezes, totalmente dependente do auxílio do professor para nortear seus estudos e, consequentemente, firmar seu progresso.
Há muito instituiu-se uma ideia equivocada, porém, bastante enraizada de que, em suma, "ao professor cabe ensinar, enquanto ao aluno, cabe aprender".
Tal ideia reforça o conceito de um ensino enciclopédico no qual os livros e o professor são detentores de todo o conhecimento.
O aprendizado, assim, funciona quase como o fenômeno físico-químico da osmose no qual a planta recebe passivamente, ou seja, sem qualquer gasto de energia, a água necessária à sua sobrevivência.
Da mesma maneira ocorre com os alunos: eles absorvem, de maneira passiva, o conteúdo que lhes é transmitido pelo professor e pelos materiais didáticos.
Bastante conveniente. Perfeito, até. Fossem os alunos plantas, e não seres pensantes e criativos.
É essencial, obviamente, que o professor esteja sempre presente, de maneira ativa e efetiva, a fim de auxiliar os alunos sempre que necessário.
Sua função principal é exatamente essa: a de orientador, de agente facilitador durante o processo de ensino/aprendizagem.
Portanto, ao professor cabe o papel de coadjuvante. O protagonismo deve pertencer sempre ao(s) aluno(s).
Porém, não raro é encontrar professores que "temam" alunos autônomos pelas mais diversas razões: receio da exposição quando questionado sobre algo que não conhece (sim, um aluno autônomo é extremamente curioso e questionador); perda da autoridade que a posição, teoricamente lhe confere, perdendo assim, seu status e, automaticamente, o controle do ambiente escolar; e talvez o maior temor de todos: não mais se fazer necessário.
Contudo, tais receios, embora compreensíveis, são totalmente equivocados. Um ambiente com alunos autônomos tende a criar uma mudança extremamente positiva e eficaz, tornando o trabalho do professor ainda mais eficiente e repleto de sentido, uma vez que caberá a ele (a nós) oferecer a motivação, a orientação e o feedback necessários.
Acontece que, para que a autonomia seja incentivada e plenamente desenvolvida, é essencial que o professor, como mediador de todo o processo, propicie, antes de qualquer coisa, um ambiente convidativo para que se dê tal mudança. Um clima hostil, no qual o professor se coloca como único indivíduo totalmente capaz, detentor de todo o saber, só acaba por tolher a capacidade do aluno de evoluir, questionar-se, aprimorar-se.
Assim, não temamos alunos autônomos! Pelo contrário, busquemos tais alunos...estimulemos ainda, que eles busquem a autonomia não apenas em seus estudos relacionados à língua inglesa ou qualquer língua estrangeira que se propuserem a aprender e dominar. A autonomia deve se dar em qualquer campo da vida, na tomada de decisões, no exercício diário de viver e evoluir!


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