VOCABULARY ACQUISITION (Aquisição de vocabulário)



Uma das afirmações mais recorrentes entre meus alunos é a seguinte: “Teacher, normalmente consigo entender (quase) tudo quando você ou outras pessoas falam em inglês comigo, mas quando quero responder ou fazer um comentário, eu travo, porque quero usar uma palavra que não conheço. Me falta vocabulário.”

Depois de notar que, se não todos, quase todos os alunos relatavam esta mesma dificuldade com certa frequência, passei a abordar esta questão já na 'aula-referência', uma aula que costumo oferecer aos alunos em potencial, para que conheçam o curso e certifiquem-se de que o tipo de aula que lhes ofereço é o que precisam e procuram, antes de tomarem qualquer decisão.

Pois bem. Vocabulário. Não há necessidade aqui de discorrer acerca do quanto um bom vocabulário é essencial para se falar e escrever bem. Seja em nossa própria língua, ou em uma língua estrangeira. É algo evidente. Óbvio, até. Sem vocabulário não há comunicação. Pelo menos não a comunicação escrita, ou a oral.

Claro que não é possível precisar o número de palavras que determinado idioma possui, uma vez que a linguagem não é algo imóvel, inalterável; pelo contrário, está em constante movimento e evolução. Novos vocábulos são incorporados à linguagem (em especial à falada) a todo o momento, enquanto outros tantos caem em desuso.

Entretanto, parece haver um consenso geral quanto à língua inglesa ser a com maior vocabulário (estima-se cerca de 1.2 milhão de palavras, enquanto, para o português, 400 mil). Scary, uh?!

Depois de intimidar os alunos (shame on me!), e às vezes até levá-los ao desespero com esta informação, é hora de ''assoprar" e oferecer algum alívio.

Você precisa de vocabulário para mandar bem no inglês (ou qualquer outra língua na qual decida se aventurar); mas na humilde opinião desta teacher aqui, o importante antes de começar a enlouquecer fazer listas e mais listas de vocabulário, é que você reflita sobre o seguinte: “De que vocabulário você precisa?”

'Deixa' que eu explico melhor. Caso você tenha lido a minha postagem anterior (se não, tá aqui, ó, FILMES EM SALA DE AULA: Ferramenta relevante ou “embromation”?), viu que escrevi sobre meu ponto de vista quanto à utilização de filmes e séries em sala de aula, e que destaquei a importância de analisarmos a relevância de tal ferramenta para a o aprendizado.

E aqui o faço novamente, repetindo que você precisa, é claro, de vocabulário mas, muito mais que isso, você precisa de vocabulário relevante, vocabulário que faça sentido para você, que se aplique à sua rotina, seus gostos e necessidades diárias.

Para deixar bem claro o que quero dizer com isso, vou usar um exemplo prático e real (o mesmo que costumo usar nas 'aulas-referência'), tão real, que aconteceu comigo.

Há alguns anos, quando ainda dava aulas em uma escola de idiomas, um aluno quis saber como é que se falava 'bicho-preguiça' em inglês. Perguntas como esta eu incluo na categoria “quando seu aluno quer quebrar suas pernas” (quem é professor, sabe do que eu tô falando). 

Eram quase 16 anos estudando inglês, um diploma de ‘professora licenciada em letras – língua inglesa e suas respectivas literaturas’ na parede, outros quase oito anos ensinando o idioma; e eu nunca havia dito 'bicho-preguiça' em inglês (e, possivelmente, poderia contar nos dedos de uma só mão, quantas vezes o fizera em português) e, claro, eu não sabia responder. 

Confesso que meu primeiro pensamento foi: “Por que diabos você quer saber isso, criatura?”.  Claro que não passou disso: um pensamento. O que fiz foi sorrir, dizer ao aluno, 'com jeitinho', que não eu não sabia, e imediatamente procurar a palavra no dicionário, escrevê-la no quadro branco, e também no meu caderno de ‘descobertas’.

Muitos alunos podem – e certamente o fazem – pensar: “Como assim, você não sabe?”. Pois é. Não sei. E é super natural que além dessa, eu não saiba mais um montão de coisas, afinal, eu sou uma professora, e não um ‘walking dictionary’; embora boa parte dos alunos espere que eu seja, em especial as crianças (em alguns casos chegam a ser engraçados, os olhinhos arregalados de espanto nessas situações; alguns, imagino até chegando em casa e dizendo “Mãe, cê não vai acreditar, hoje eu perguntei como falava ‘carrinho de rolimã’ em inglês, e a teacher não sabia!). Só para constar: 'go-cart'.

Coincidentemente, um bom tempo depois, coisa de um ano até, outro aluno me veio com a mesma dúvida. E eu? Fiz o quê? A mesma coisa que tinha feito antes: sorri, disse que não sabia, e todo o resto...

“Mas você já tinha procurado, anotado...” É. Anotei. No meu 'caderno de descobertas'. Acontece que, durante todo aquele período que sucedeu a nova pergunta, o único momento em que precisei do 'bicho-preguiça', foi naquele dia, para atender à necessidade/curiosidade do meu aluno. Do mais, o pobre do bichinho ficou ali, escrito, mas fechado e esquecido (e esquecido também foi o caderno, que não sei que fim levou).

Agora, a situação poderia ter sido muito diferente, se além de professora de inglês, eu fosse, por exemplo, uma bióloga, zoóloga ou qualquer outra “óloga” ou profissional que estivesse inserida neste contexto de animais silvestres, (ou mesmo se fosse uma área que me despertasse algum interesse) porque, neste caso sim, o vocabulário possivelmente me faria sentido. Assim como é interessante para um engenheiro civil, construtor, arquiteto ou afim, saber que ‘paralelepípedo’ em inglês é ‘sett’ ou 'cobblestone'. (Você dificilmente vai ouvir de mim durante a passagem em uma rua com esse tipo de 'tijolos': Olha que paralelepípedos legais"; tanto é, que precisei procurar no dicionário antes de escrevê-lo aqui, em inglês).

Essa história toda (em uma postagem enorme) foi para chegar até aqui: Faça um favor a si mesmo e à disposição para o estudo. Descomplique, melhor ainda, facilite. Não fique doido imaginando aquele milhão de vocabulário em inglês. Procure exercitar seu vocabulário, utilizando ainda que dez, vinte, trinta palavras que lhe sejam úteis, palavras das quais você possa fazer uso em situações reais, cotidianas, significativas para você e para o contexto ao qual está inserido. Em seguida, aprofunde-se, foque também em algo mais específico, algo da sua área de atuação ou mesmo interesse. 

De que adianta conhecer mil palavras em inglês, mas usar de verdade apenas umas cem? E as outras 900, onde ficam? É batido dizer que “conhecimento nunca é demais”, mas conhecimento não utilizado (ou mal utilizado), pra mim, é, sim, demais. Acaba virando ‘acúmulo de gordura’ e ocupa um lugar precioso no seu cérebro que poderia ser preenchido por informações muito mais significativas, e, mais uma vez, faço questão de ressaltar, informações de fato, RELEVANTES!

Para finalizar: muitíssima boa sorte na caminhada! 


PS: Hoje, é claro, eu sei, by heart, como se fala e escreve ‘bicho-preguiça’ em inglês (que feio pra mim, se ainda não soubesse), mas aos que tiverem curiosidade de saber, here is a piece of advice: Google it! (and tell me later what you’ve found, okay?!) =]


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