FILMES EM SALA DE AULA: Ferramenta relevante ou “embromation”?
Há algumas semanas, fui a uma loja de departamentos e encontrei alguns filmes aos quais já assisti e acho muito bons. Por considerá-los filmes com temáticas e tramas interessantes, comprei-os com o intuito de utilizá-los em minhas aulas. No final de semana, com o cronograma mais tranquilo devido à ausência de uma turma, finalmente, tive tempo para assistir (novamente) a um deles e preparar meu plano de aula com algumas atividades.
Isso me fez refletir acerca do uso de recursos como este no processo de ensino-aprendizagem. Serão eles realmente eficazes?
Quando
se trabalha em uma escola de idiomas ou mesmo escola de ensino regular, na qual
há apostilas a serem completadas e cronogramas a serem seguidos dentro de um
determinado prazo, muitas vezes sobra pouco ou mesmo nenhum espaço para as
atividades “além” do material didático.
Hoje,
trabalhando com aulas particulares, tenho maior liberdade neste sentido.
Utilizo um material didático, sim e, claro, elaboro cronogramas e planos de
aula baseados nele, mas minhas possibilidades de incluir aulas diversificadas “no pacote”, são muito
maiores. Não que seja necessário dedicar uma aula inteira a tal atividade, afinal, quando ensinamos um idioma, seja o nosso próprio, ou um idioma
estrangeiro, aspectos culturais estão/são intrínsecos ao conteúdo.
Invariavelmente. Um tópico gramatical pode (e normalmente o faz), por exemplo,
remeter-me a uma curiosidade e/ou particularidade cultural de determinado país
ou região onde este idioma é falado e um debate cultural/político/social pode surgir a partir daí.
Conhecer
a cultura de um povo e/ou determinado grupo é fundamental para se compreender sua língua, afinal,
ambas são essenciais à construção e manutenção da identidade deste.
Salvo
algumas exceções, crianças e adolescentes as adoram, mas pelos motivos errados
como: “oba! Hoje não tem matéria!; “Ai, que bom...não vamos precisar falar
nada” e por aí vai... Mas não são poucos os alunos (ou pais) que “torcem o
nariz” para aulas desse tipo.
“Não
estou pagando curso de inglês para ficar assistindo a filmes”; “se é pra assistir
a um filme, eu assisto em casa, não preciso ir/vir pra aula”; “Ah, nem vou pra
aula hoje porque a professora disse que vai passar um filme”, (taí uma coisa que
aprendi: a não avisá-los antecipadamente) e outra infinidade de reclamações.
Acho,
sim, que algumas delas (ou mesmo todas) podem ser justificáveis e corretas até.
Tudo depende das razões que têm os professores para utilizarem das preciosas
horas de aula, que normalmente já são poucas, (ou minutos, no caso de apenas
trechos) com filmes.
Assim
como um professor deve sempre se organizar para uma aula “normal”, preparando e
estudando de antemão a matéria a ser vista por determinado aluno ou grupo,
coletando exemplos, modelos que a ilustrem, e não apenas abrir o livro cinco
minutos antes da aula ou mesmo no momento em que esta começa; não se deve
simplesmente selecionar um filme e pronto. Terminado o filme, volta-se ao
livro.
É fundamental que se reflita sobre o motivo pelo qual utilizar um filme em aula. E questionar-se quanto o seguinte:
A priori: este é um filme que está de acordo com o perfil e os interesses da turma, ou foi escolhido considerando-se apenas o gosto pessoal do professor? Qual a
relevância do tema para o aprendizado da língua? Envolve uma temática capaz de
levantar discussões/reflexões proveitosas? Proporciona aquisição de vocabulário
e/ou estruturas gramaticais úteis e relevantes? É adequado ao nível
linguístico da turma (um filme/seriado fácil demais, ou o contrário, com alto
grau de dificuldade, normalmente mostra-se desestimulante). É adequado também à
faixa etária? (em início de carreira, cometi o enorme erro de não assistir ao
filme todo antes de utilizá-lo em aula e, por imaginar tratar-se de uma comédia
inofensiva, - de acordo inclusive, com a classificação - passei por momentos
embaraçosos com um grupo de pré-adolescentes.
Obviamente,
eu jamais poderia ter passado aos meus alunos um filme ao qual não assistira
por completo, ou mesmo a parte nenhuma dele. Lição aprendida (e repassada),
afinal, sem tê-lo assistido integralmente, não me foi possível responder a todas aquelas perguntas acima e assegurar a relevância e eficiência da aula.
Infelizmente,
não é surpresa alguma que existam profissionais que usem, sim, filmes para
preencher o tempo de aula quando lhes falta vontade de dar uma “aula de
verdade”, ou quando por qualquer que seja o motivo, não a preparam. E é
justamente essa atitude que faz com que muitos “torçam o nariz” quando
utilizamos tal ferramenta em sala, já que, tais motivos ficam evidentes.
Para
fugir desse tipo de situação, resta ao professor ainda mais uma pergunta: Consegui,
de fato, responder todas as perguntas
propostas de maneira que tenha me agradado/satisfeito? Em caso afirmativo, falta-lhe
apenas imprimir o material de apoio (em caso de haver algum), estourar a pipoca
e apertar o play!



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