RESPONDENDO A PERGUNTAS DE ALUNOS

Há alguns meses, um aluno em potencial, hoje, felizmente, aluno, procurou-me para saber a respeito de aulas de inglês.

Combinamos um horário para que pudéssemos conversar pessoalmente  e eu lhe explicasse e mostrasse como a aula funciona de fato, além de poder avaliá-lo, visto que ele já havia estudado inglês.

Durante nossa conversa, perguntei-lhe se estava à vontade para me dizer o porquê de estar procurando um novo professor.

O aluno me disse que embora o professor fosse muito bom, incomodava-se visivelmente, quando questionado. Parecia irritado por ter o ritmo da sua aula, ‘quebrado’, ‘desacelerado’ por uma pergunta, num momento, para ele, provavelmente visto como inoportuno.

Uma vez que ele, (o aluno) considerava-se uma pessoa bastante “perguntadora”, sentia-se mal-visto aos olhos do professor e da turma que, diferente dele, dificilmente abria a boca, não fosse “necessário”.

Inclusive, perguntou-me se o fato de ele querer saber os porquês e ter explicações mais detalhadas de tantas coisas relacionadas ao idioma, seria um problema pra mim. De maneira alguma! Eu mesma, enquanto aluna, sempre fui (e sou) questionadora... Que o diga meu antigo professor de alemão.

Confesso que para mim, enquanto professora, é espantoso um colega de profissão achar incômodo e, principalmente, prejudicial ao andamento da aula, que os alunos lhes exponham suas dúvidas, façam-lhe perguntas; uma vez que enxergo tal processo de maneira totalmente oposta: perguntas pertinentes só fazem enriquecer a aula... Propiciam uma experiência real e efetiva de aprendizado.

Quantos não são os alunos tímidos que preferem deixar a aula, repletos de dúvidas, a tirá-las em sala de aula, com medo do estarem perguntando algo estúpido, ou mesmo tão óbvio que eles, teoricamente, teriam a obrigação de compreender?

A meu ver, um ambiente de sala de aula ideal, é formado por alunos altamente críticos e questionadores que, com suas perguntas (e aqui, refiro-me a perguntas pertinentes) só fazem enriquecer e efetivar o aprendizado.

O aluno ainda acrescentou que, por muitas vezes, tinha a impressão de que o professor parecia incomodar-se com suas perguntas, por sentir como se tais perguntas fossem para testar seu conhecimento acerca da língua e sua capacidade de ensiná-lo. O que, segundo ele, não era verdade.
De fato, essa sensação de estar sendo “testado” a todo momento  por determinados alunos, não é assim, tão incomum entre os professores.

Trabalhei vários anos em uma escola de idiomas como professora e, posteriormente, como coordenadora pedagógica.

Quando coordenadora, organizava reuniões com os professores, ora privadas, ora em grupo, e houve vezes, durante estas reuniões privadas, em que alguns me diziam ter a impressão de estar sendo testados por determinados alunos.

Não é totalmente impossível. Mas acho muito pouco provável. Penso que as perguntas surgem como uma reação natural às duvidas que aparecem ao longo da aula.

Coincidentemente, há algumas semanas, participei de uma conferência online de uma conceituada editora de materiais didáticos para ensino de inglês, reconhecida mundialmente; e, uma das palestras tratava justamente desse assunto: “How to answer (most) learner questions (about language)?.” (“Como responder a (maioria das) perguntas do aluno (sobre a língua?”)

A palestra, que na verdade foi mais um bate-papo mediado por um professor inglês, durou cerca de meia hora. Nós, professores, fomos questionados desde as perguntas mais comuns até as mais “cabeludas” que já tivemos de responder...

Antes de qualquer coisa, em relação especialmente à gramática, concordamos que, tantos nós quanto nossos alunos, devemos ter em mente que ela é flexível e que, raramente haverá UMA ÚNICA resposta a uma pergunta gramatical.

Ainda, poderia acrescentar outras coisas que, a meu ver (e tenho certeza, de tantos outros professores) são fundamentais ao respondermos às perguntas de nossos alunos:

* Não transforme uma pergunta em um longo diálogo com um único aluno: envolva todos os outros na conversa;

* Não recorra à tradução pura e simplesmente;

* Se disser ao aluno que voltará à pergunta num outro momento, volte;

* “Arranque” de seu aluno, contexto;

* Encoraje perguntas, não as tema!

Muitas vezes nossos alunos esperam que sejamos uma gramática ou dicionário ambulantes. Surpreendem-se todas as vezes em que dizemos não saber algo, reagindo, instintivamente, como se isso fosse algo inadmissível.

Ademais, infelizmente, muitos professores enxergam suas limitações desta maneira e, para não parecem inaptos em frente aos seus alunos, preferem ‘dar voltas’ ou mesmo inventar uma resposta, ou invés de simplesmente admitirem que não sabem e comprometerem-se a pesquisar a respeito.

Portanto, antes de qualquer outra, a regra de ouro quanto a responder perguntas de alunos é:

“SE VOCÊ NÃO SABE, ADMITA. NÃO FINJA SABER!!!”




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